Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

o largo.

onde tudo acontece...

onde tudo se ouve...

sobre | spotify


As emissões d'o largo.fm serão retomadas em janeiro

29.10.19

Vila Real: "Caloirada Aos Montes" vê horário ser reduzido

Estudantes dizem-se injustiçados. Autarquia diz que ruído de último evento era intolerável.


Bruno Micael Fernandes

Divulgação

A receção aos caloiros em Vila Real, também conhecida como "Caloirada Aos Montes", vai ver o seu horário reduzido para as 05h da manhã, ao contrário das 06h da manhã de outras edições.

Em causa, está a licença de ruído emitido pela Câmara Municipal de Vila Real que só autorizou o evento até essa hora. Quem o diz é a Associação Académica da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (AAUTAD) que emitiu um comunicado aos estudantes esta terça-feira, justificando desta forma a alteração. "A AAUTAD trabalhou todo este evento para funcionar até às 06h, recebendo a 15 dias do início do mesmo, por parte da Câmara Municipal de Vila Real, a autorização para a realização de ruído apenas até às 05h", indica a direção. 

Lamentando a decisão, a Associação diz não se rever "nestas linhas orientadoras que surgem como limitações ao bom funcionamento de uma atividade histórica para a cidade", sublinhando que "os estudantes, o pulmão financeiro da cidade de Vila Real, aqueles que lhe dão vida e força, sentem-se injustiçados por lhes retirarem aquela que era apenas mais um hora de diversão. A UTAD é Vila Real e também gostávamos que Vila Real fosse a UTAD", remata. 

Autarquia justifica decisão com as "Barraquinhas"

Entretanto, a Câmara Municipal de Vila Real reagiu também em comunicado. A autarquia liderada por Rui Santos esclarece que a decisão adveio da "falta de cuidado" que a AAUTAD teve na última edição das "Barraquinhas", um evento de boas-vindas aos caloiros, organizada em conjunto com os núcleos dos vários cursos da universidade, e que decorreu entre os dias 16 e 19 de setembro. "Lamentavelmente, e apesar de alertada para os cuidados que deveria ter com a intensidade do ruído durante a madrugada, a AAUTAD permitiu que os níveis sonoros, logo na primeira noite, roçassem o intolerável, numa zona eminentemente residencial", refere a autarquia, acrescentando que o barulho foi alvo de "inúmeras queixas de cidadãos, quer junto do Município, quer junto das autoridades policiais". 

Apesar da autarquia ter reunido com a associação logo no dia seguinte, a questão do ruído manteve-se ao longo de todo o evento. "Em todas as noites das “Barraquinhas Académicas,” a AAUTAD foi alertada para os níveis excessivos de ruído, por mensagens que foram respondidas, tendo mesmo sido admitido que o mesmo se verificava. Infelizmente tal não impediu que o problema se repetisse", acusa o município. 

O comunicado é aproveitado pela autarquia para sublinhar o apoio dado às iniciativas da AAUTAD. "O local onde decorrem (as festas académicas) é cedido gratuitamente pelo Município, tal como todas as grades de limitação, barracas de pequena dimensão, transportes e meios de transporte, infraestrutura elétrica, para não referir os recursos humanos que carregam, montam, limpam, entre outras tarefas, o recinto", elenca o município, acrescentando que, "apenas no ano de 2018, o Município de Vila Real apoiou financeiramente em 20.531€ a AAUTAD"

A decisão camarária contempla "reduzir a licença especial de ruído em uma hora e condicioná-la à existência de meios de medição e limitação de ruído durante a "Caloirada aos Montes". A AAUTAD, em vez de assumir os seus próprios erros e falhas como causa desta consequência, prefere responsabilizar o Município. A AAUTAD representa os melhores interesses dos alunos da UTAD, mas o Município representa os de todos os cidadãos, incluindo os alunos da UTAD", justifica. 

Usando o chavão "A UTAD é Vila Real e Vila Real é a UTAD", e apesar de esperar que a tomada de posição da associação "não coloque em causa o historial de décadas de bom relacionamento, o município tem uma posição bem vincada:

Esta afirmação encerra, em primeira e última análise, o enorme respeito que deve existir de parte a parte. A AAUTAD é constituída e representa pessoas legalmente adultas e responsáveis pelos seus atos. É assim que são encaradas pelo Município de Vila Real. Se a UTAD e os seus alunos merecem consideração pelas instituições locais, o contrário também terá que ser verdade.

Em 2017, Câmara e Associação prometeram criar "condições" para que os problemas de barulho não se repetissem

Já não é a primeira vez que a autarquia vila-realense e a associação têm diferendos sobre o barulho em eventos da AAUTAD. 

Recorde-se que, em 2017, a associação foi mesmo obrigada a cancelar a "Semana das Barraquinhas", devido a queixas dos moradores pelo ruído causado na primeira, e única, noite do evento. Numa transmissão no Facebook (abaixo), o presidente da AAUTAD na altura, António Vasconcelos, lamentava o ruído chocado com o facto de "a comunidade académica, geradora de um impacto económico na ordem dos 1,7 milhões de Euros por mês na cidade, seja recebida e acolhida desta forma". Mais de 700 estudantes manifestaram-se no dia do cancelamento numa marcha silenciosa entre o local onde decorreriam as "Barraquinhas" e o largo da Capela Nova, no centro da cidade de Vila Real. 

 

Alguns dias mais tarde, a câmara de Vila Real, AAUTAD e a própria instituição de ensino superior lançaram um comunicado conjunto. Ressalvando que, por acordo mútuo, foi tomada a decisão de não retomar o evento, a missiva era clara: as três instituições prometeram criar "todas as condições para que esta situação não se volte a repetir (...),  permitindo a simultaneamente a organização de excelentes eventos académicos e o descanso da comunidade vila-realense". 

A edição de 2019 da "Caloirada aos Montes" decorre entre 30 de outubro e 04 de novembro.

estamos no facebook e no twitter.
Escuta o largo.fm e torna-te patrono.
publicidade

Comentar:

Comentar via SAPO Blogs

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.